
Li duas biografias de Einstein: “Sutil é o Senhor...”: A ciência e a vida de Albert Einstein e Einstein viveu aqui, ambas escritas pelo físico holandês Abraham Pais considerado o maior biógrafo do físico alemão, com quem inclusive conviveu em Princeton. Pais desmistifica a idéia de que o gênio mirim tirava notas ruins na escola, muito pelo contrário, na verdade ele sempre se destacou nos estudos.
Um fato curioso é que, aos 16 anos de idade, antes de concluir o ensino secundário (o ensino médio aqui nos trópicos), o jovem Albert decidiu entrar na universidade e prestou os exames de admissão na Universidade Federal Suíça (Eidgenössische Technische Hochschule), em Zurique. E, pasmem, foi reprovado nas provas de humanidades! É claro que depois de concluir o ensino secundário acabou entrando na mesma universidade, onde se formou e se tornou docente. O resto da história todos conhecem.
Por este pequeno e não muito relevante fato histórico é que coloquei uma ilustração de Einstein em meu último post, O Aluno Cobaia. E também, certamente, porque sou admirador do gênio científico e do pensador humanista que havia por trás do físico judeu.
Se Einstein reprovou em seu primeiro vestibular todos podem agora se sentir aliviados. Até os examinadores da UEL podem se sentir aliviados, afinal de contas errar é humano. Os organizadores do vestibular da UEL podem se sentir aliviados, Einstein reprovou no vestibular. Mas penso que seja prudente refletir a respeito dos erros cometidos e, senão for possível com humildade admitir estes erros, pelo menos não cometê-los novamente no futuro, afinal foram 25 mil candidatos.
Dois amigos, cujos nomes não citarei aqui para preservá-los da humilhação pública, ambos já graduados, um em História e outro em Jornalismo, prestaram este último vestibular de que tanto falo. Humildemente confessaram que foram mal no exame, inclusive nas questões de humanidades, especialidade de ambos. Quanto as demais questões nem se discute.
Se um ex-aluno da UEL, brilhante diga-se de passagem, se sentiu constrangido com o grau de dificuldade e com a extensão da prova, depois de ter passado 4 anos dentro dessa mesma instituição, inclusive com os mesmos acadêmicos que lhe deram aula e prepararam esse equívoco que foi o último vestibular, imagine os candidatos vindos do ensino médio, público ou privado.
A prova foi mal elaborada. Foi específica nos seus conhecimentos gerais. Pecou pelo excesso e conseqüentemente a quantidade de questões tornou-se inadequada para o tempo disponível. Duvido que a equipe que elaborou a prova trocou as questões entre si e marcou o tempo de resolução para verificar se era possível resolvê-la em 4 horas, tendo que ainda por cima passar os resultados para a folha de respostas.
Será que o acadêmico de filosofia que colaborou na configuração da prova resolveu as questões de química, biologia ou matemática? Ou o contrário em relação as outras áreas? Pois deveriam, visto que é uma prova dita contextualizada e interdisciplinar e, portanto pertinente a todas as áreas. Com um detalhe, a rapidez de resolução de um acadêmico em um problema de sua área sem dúvida é bem maior do que a de um estudante comum.
Vestibular não é experiência e aluno não é cobaia. Uma comissão organizadora não pode ser desorganizada a ponto de preparar uma prova fora da realidade do ensino médio no Brasil e, na pior das hipóteses, extensa demais, sem passar por um processo de auto-avaliação antes da realização da mesma. Quando o exame é aplicado e o feedback vem do desempenho dos candidatos então eles são cobaias e foi isso que aconteceu em Londrina. E isso é inadmissível.
Que aqueles poucos que venham a ler esse texto me perdoem pela chatice e até pela revolta, mas uma instituição do porte e da importância da UEL deve fazer suas experiências em seus laboratórios e não com os seus futuros alunos.
Ainda bem que Einstein não prestou vestibular por aqui, talvez tivesse se desanimado.




