Quando criança abria os livros de História e aquele fascínio típico por coisas antigas e misteriosas me levava diretamente para as imagens do Egito dos faraós. Corpos mumificados, a Esfinge, a tumba de Tutancamon, os hieróglifos e ela, provavelmente o maior símbolo do antigo Egito e talvez da própria humanidade: a pirâmide de Quéops.
Mal sabia eu que meu fascínio aumentaria mais com o passar do tempo. A Grande Pirâmide, assim conhecida nos dias de hoje, foi construída há cerca de 4500 anos e é, juntamente com as pirâmides de Quéfren e Miquerinos, a única das maravilhas do mundo antigo que está de pé e provavelmente assim continuará por mais alguns milênios!
Sua construção precede em 2500 anos o surgimento do cristianismo! Pasmem, há mais tempo separando Jesus Cristo da origem deste gigantesco monumento do que os séculos que separam o Nazareno de nossos dias!
Sem guindastes ou rodas, sem sombra da tecnologia de que dispomos hoje, cerca de 100.000 pessoas trabalharam na construção da pirâmide durante 30 anos! Matemáticos e historiadores ainda se admiram com a precisão e a grandiosidade de um monumento tão antigo e imponente. Sua altura de 147 metros corresponde a de um prédio de 48 andares. Pra se ter uma idéia, o maior edifício do Paraná, que está sendo construído em Londrina, terá 120 metros de altura. A Grande Pirâmide foi a mais alta construção do mundo até a inauguração da Torre Eiffel em Paris, em 1889!
Mas os números, totalmente ligados à engenharia e à mística deste monumento
não param por aqui: sua base é um quadrado com 230 metros de lado, ou seja, para
se contornar a pirâmide você precisaria andar 920 metros, quase um quilômetro!
Não conseguiríamos colocar a base dentro do cemitério São Pedro, na região
central de Londrina! Os vértices estão voltados exatamente para os quatro pontos
cardeais, norte, sul, leste e oeste.
No século dezenove, estabeleceu-se uma polêmica pela determinação do meridiano
zero, aquele que divide o globo terrestre em ocidente e oriente, permitindo medir a
longitude. Definido como o primeiro meridiano serve de referência para estabelecera relação entre as horas em qualquer ponto da superfície terrestre, estabelecendoos fusos horários. Segundo Wilcomb E. Washburn em A Abertura do Mundo:
Estudos de Historia dos Descobrimentos Europeus, uma das possíveis escolhas
teria sido o meridiano que passa pelo centro da Grande Pirâmide, porque além de
ser o maior e mais bem construído marco de medição que alguma vez foi levantado
em todo o mundo, divide continentes e oceanos em duas metades exatamente iguais
Como sabemos, o meridiano escolhido foi o de Greenwich, mas me parece estranho
imaginar que usando este como parâmetro quase toda a Europa ficaria no Oriente.Na realidade a decisão por tal escolha foi mais política do que científica, devido agrande influência exercida pela Inglaterra durante o século XIX.Mais importante do que tantas informações no entanto, é perceber que desde
os mais remotos tempos a humanidade procurou perenizar suas realizações com
grandes obras, e que os números vem acompanhando passo a passo essa busca
pela eternidade, ajudando a mensurá-la e muitas vezes dando o próprio sentido
para estas realizações.
Publicado em 30 de agosto de 2006 às 12:46 por pafu