
Será que ele passaria???
Eu entendo o fato da maioria das pessoas não gostar de Matemática. Tudo bem, gosto de desafios: dou aula dessa aberração há 15 anos. Nos países desenvolvidos e naqueles em desenvolvimento, como a Índia e a Coréia, por exemplo, o ensino da odiosa disciplina é levado bem a sério, talvez porque isso ajude a sociedade a crescer, ou auxilie as pessoas a não serem passadas para trás pelos bancos, por exemplo, e nem processarem informações capciosas. Sei lá, sou suspeito, afinal de contas acho que a dita cuja é útil e pode ajudar as pessoas a viver melhor.
Até comecei a fazer o curso de História na UEL, porque tive a estranha sensação de que poderia unir os conhecimentos das duas áreas, e com isso tornar o ensino do funéreo estudo dos números mais interessante, mais abrangente, e mais útil às vistas dos meus alunos. E descobri que sim, é possível trabalhar interdisciplinaridade até com a tal da Matemática.
Mas agora estou me sentindo um inútil.
Passei dez meses procurando a melhor forma de preparar uma montanha de pessoas para o vestibular, a maioria delas oriunda de escolas públicas, gente simples que não teve oportunidade de estudar numa grande rede particular e, portanto desfrutar o que tem de melhor no ensino do país.
Enfim, eu e meus outros parceiros, experientes professores da rede particular viemos trazer nossos métodos, nosso conhecimento, nossa vontade para levar essa moçada a uma vaga na universidade pública.
O problema é que a universidade pública, leia-se aqui UEL (Universidade Estadual de Londrina) levou por água abaixo boa parte dos candidatos porque trata seu sistema de avaliação (vestibular) como uma experiência e os candidatos como cobaias da mesma.
No afã de fazer uma prova interdisciplinar, transversal, contextualizada e um monte de outras asneiras acadêmico-pedagógicas, os examinadores prepararam uma arapuca, numa avaliação longa, com questões enormes de tal forma que a maioria dos candidatos não teve tempo para sequer passar o gabarito dos testes para a folha de respostas.
A coordenação do processo seletivo alega que assim só os candidatos bem preparados, que lêem e tem boa compreensão de textos poderão entrar na universidade. Só que ao mesmo tempo em que disponibiliza até 40% das vagas para alunos cotistas vindos de escolas públicas, os elimina por um exame não condizente com a realidade destes mesmos estudantes.
Será que os elaboradores da prova não trocaram as questões entre si e marcaram o tempo de resolução para verificar se os alunos, que diferentemente deles, mestres e doutores, fizeram somente o ensino médio, estariam preparados para suas divagações acadêmicas ?
Essas cobaias, 25 mil neste último vestibular, passaram por um ano torturante e cansativo, sonhando com sua vaga na UEL, esta instituição tão conhecida e respeitada, e foram desrespeitados, não somente os candidatos cotistas, mas também os que vieram de instituições privadas, por um exame arrogante, que não avalia o conhecimento do aluno, mas apenas a capacidade do examinador, aquele que prepara a prova do vestibular mas que desconhece a realidade do ensino no Brasil, principalmente a do ensino público, do qual ele é empregado.
Chega de arrogância!
Milhares de estudantes, familiares e até medíocres educadores (se vocês me permitem assim ser chamado) como eu sentiram seu ano perdido, seus conhecimentos dilapidados e sua auto-estima desprezada por uma experiência mal feita.
Vestibular é coisa séria, milhares de pessoas são envolvidas no processo, direta ou indiretamente. Uma grande quantia de dinheiro é despendida, uma logística enorme, infra-estrutura e tantos outros fatores que nem vale a pena citar aqui. Esperamos que a comissão que organiza esse exame possa deixar de lado as malfadadas experiências e tratar os candidatos, as famílias e até os educadores com a dignidade que lhes cabe. O exame, senhoras e senhores, é para avaliar os alunos do ensino médio e não àqueles que preparam as provas!
Acho o Einstein uma figura bastante controversa para ser utilizado no seu artigo. Não duvido que ele soubesse muita Matemática, mas é amplamente conhecido o fato de, ele ter tido um desempenho escolar (na disciplina de matemática) tão ruim, na sua idade infantil, a ponto de seu próprio professor ter dito que ele não tinha futuro. Isso eu já li em fontes confiáveis. Outra informação que li em fonte confiável é a afirmação dele de "Se você tem problemas com a Matemática, não se preocupe, os meus são muito piores". Por último, a respeito dessa informação eu não tenho certeza, é a afirmação de que quem fazia as operações matemáticas necessárias para avaliar a validade de suas teorias era sua esposa, e que a mesma era especialista em matemática.
Por outro lado, quando você afirma que acredita que os seus estudantes foram feitos de cobaia, dá a impressão de que acredita que fizeram deles alvos de um experimento. Tenho certa reserva quanto a isso. A partir do que você vai poder ler lá no meu blog, no texto que trata das manifestações do cursinho popular CEPV-UEL e da questão relativa às mudanças ocorridas no vestibular da UEL (aonde o meu artigo complementa o artigo do professor Elve Cenci, do Departamento de Filosofia) depois da eleição do último reitor, você vai perceber que o processo pelo qual seus estudantes passaram não foi resultado de uma ação executada calculadamente, e sim arbitrariamente de formas a ter como consequência não só esse vestibular, mas o vestibular do ano passado, que conforme você deve saber, foi uma verdadeira piada.
Por último gostaria de fazer uma crítica às suas observações acerca dos métodos pedagógicos. Acho que considerações dessa ordem são extremamente importantes por que são justamente elas que criam a possibilidade de transformar o saber, mesmo por que o saber é saber sobre o já instituído, sobre aquilo que já aconteceu, à realidade concreta das pessoas, que é uma realidade que se transforma. Um dos problemas da educação, e esse é um problema sério da matemática, na minha opinião, é a dificuldade que as pessoas tem de perceber aquele conhecimento através do seu cotidiano.