Pafulândia ou Mundo Mirim

EINSTEIN E O VESTIBULAR DA ACADEMIA

Concordo plenamente com a idéia de que Einstein foi uma figura controversa. A ditadura argentina, por exemplo, proibiu a leitura e o estudo das teorias do gênio mais aclamado da física no século XX, pois elas iam contra a “noção cristã de universo” cujos artífices do totalitarismo portenho se colocavam como defensores. Quanta controvérsia ele causou por lá! Fontes confiáveis contabilizam que mais de trinta mil pessoas morreram ou desapareceram durante o regime militar naquele país. Isto é fato.Einstein viveu aqui
Li duas biografias de Einstein: “Sutil é o Senhor...”: A ciência e a vida de Albert Einstein e Einstein viveu aqui, ambas escritas pelo físico holandês Abraham Pais considerado o maior biógrafo do físico alemão, com quem inclusive conviveu em Princeton. Pais desmistifica a idéia de que o gênio mirim tirava notas ruins na escola, muito pelo contrário, na verdade ele sempre se destacou nos estudos.
Um fato curioso é que, aos 16 anos de idade, antes de concluir o ensino secundário (o ensino médio aqui nos trópicos), o jovem Albert decidiu entrar na universidade e prestou os exames de admissão na Universidade Federal Suíça (Eidgenössische Technische Hochschule), em Zurique. E, pasmem, foi reprovado nas provas de humanidades! É claro que depois de concluir o ensino secundário acabou entrando na mesma universidade, onde se formou e se tornou docente. O resto da história todos conhecem.
Por este pequeno e não muito relevante fato histórico é que coloquei uma ilustração de Einstein em meu último post, O Aluno Cobaia. E também, certamente, porque sou admirador do gênio científico e do pensador humanista que havia por trás do físico judeu.
Se Einstein reprovou em seu primeiro vestibular todos podem agora se sentir aliviados. Até os examinadores da UEL podem se sentir aliviados, afinal de contas errar é humano. Os organizadores do vestibular da UEL podem se sentir aliviados, Einstein reprovou no vestibular. Mas penso que seja prudente refletir a respeito dos erros cometidos e, senão for possível com humildade admitir estes erros, pelo menos não cometê-los novamente no futuro, afinal foram 25 mil candidatos.
Dois amigos, cujos nomes não citarei aqui para preservá-los da humilhação pública, ambos já graduados, um em História e outro em Jornalismo, prestaram este último vestibular de que tanto falo. Humildemente confessaram que foram mal no exame, inclusive nas questões de humanidades, especialidade de ambos. Quanto as demais questões nem se discute.
Se um ex-aluno da UEL, brilhante diga-se de passagem, se sentiu constrangido com o grau de dificuldade e com a extensão da prova, depois de ter passado 4 anos dentro dessa mesma instituição, inclusive com os mesmos acadêmicos que lhe deram aula e prepararam esse equívoco que foi o último vestibular, imagine os candidatos vindos do ensino médio, público ou privado.
A prova foi mal elaborada. Foi específica nos seus conhecimentos gerais. Pecou pelo excesso e conseqüentemente a quantidade de questões tornou-se inadequada para o tempo disponível. Duvido que a equipe que elaborou a prova trocou as questões entre si e marcou o tempo de resolução para verificar se era possível resolvê-la em 4 horas, tendo que ainda por cima passar os resultados para a folha de respostas.
Será que o acadêmico de filosofia que colaborou na configuração da prova resolveu as questões de química, biologia ou matemática? Ou o contrário em relação as outras áreas? Pois deveriam, visto que é uma prova dita contextualizada e interdisciplinar e, portanto pertinente a todas as áreas. Com um detalhe, a rapidez de resolução de um acadêmico em um problema de sua área sem dúvida é bem maior do que a de um estudante comum.
Vestibular não é experiência e aluno não é cobaia. Uma comissão organizadora não pode ser desorganizada a ponto de preparar uma prova fora da realidade do ensino médio no Brasil e, na pior das hipóteses, extensa demais, sem passar por um processo de auto-avaliação antes da realização da mesma. Quando o exame é aplicado e o feedback vem do desempenho dos candidatos então eles são cobaias e foi isso que aconteceu em Londrina. E isso é inadmissível.
Que aqueles poucos que venham a ler esse texto me perdoem pela chatice e até pela revolta, mas uma instituição do porte e da importância da UEL deve fazer suas experiências em seus laboratórios e não com os seus futuros alunos.
Ainda bem que Einstein não prestou vestibular por aqui, talvez tivesse se desanimado.

Publicado em 24 de novembro de 2007 às 13:29 por pafu

Comentários

    • Que ex-amigo, rapá? Tá louco? Só porque você tomou um porre no meu casamento. E as inúmeras que eu dei vexame e dormi em mesa de bar?
      Li seu post anterior - é um fato raro você publicar aqui no Tipos - e concordo plenamente. A Matemática foi desprezada e subjugada pela UEL. Ela é importantíssima, que o digam Pitágoras, Aristóteles, Leibniz, Kepler, Pascal, Descartes e tantos outros. E digo isso com a autoridade de quem sempre foi um fiasco na matéria, por assumida falta de inteligência com as coisas básicas (e com as outras também).
      Abraço nocê, na Fran e no Danilo.
    • por briguet, liberal empedernido e casado
    • 25.Nov.2007 às 05:06 - Permalink - Reportar
    briguet
    • Esqueci duas coisas: o Platão, uma interrogação e a palavra vezes.
    • por briguet, autocorretor
    • 25.Nov.2007 às 05:14 - Permalink - Reportar
    briguet
  1. briguet
    • Ô, Briguet!!!
      Ainda tá bêbado, seu condenado???!!!
    • por Marcelo garganta estourada Rocha
    • 25.Nov.2007 às 17:36 - Permalink - Reportar
    Marcelo garganta estourada Rocha
    • Não tem nem o que falar Jean, vc mandou muitíssimo bem, acho que agora ninguem que acha que sabe alguma coisa (e na verdade não sabe porcaria nenhuma)! vai querer questionar a falta de inteligencia da prova do vestibular UEL 2008, tomara que os elaboradores dessa ridicularidade vejam isso, e se concientizem da tamanha palhaçada...
    • por Letícia Zambonini
    • 26.Nov.2007 às 09:31 - Permalink - Reportar
    Letícia Zambonini
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